ressonância ocular

entram pelas orelhas e saem pelos olhos Tunga Estou incerto, me vejo num interior sem cores. Há luz mas é invisível, é uma luz tátil. Vou tateando portanto, procurando bordas, sondo uma seqüência delas tentando me achar, pois o que me contém deve ter uma forma. (tenda, gruta, baleia, templo...tudo o que contém deve ter bordas) Seguem os toques, atribuem consistências diversas, macias, úmidas, amilscaradas, quentes ou vitríolas...vou juntando toques, que agrego aos precedentes. Embora de qualidades diversas, vou construindo um todo e cada toque pegando a outro com cola; a cola do imaginário. Densa é a “nuvem” onde me encontro, parece contínua. Procuro buracos, devem lá estar. Se ali estou, há um exterior. Se ali entrei, deve haver um buraco De entrada, de saída... (parte do texto escrito por Tunga sobre o trabalho do Chelpa Ferro, e fotografia de Lucia Helena Zaremba da instalação sonora do Chelpa exposta na Galeria Projetti, Rio de Janeiro e na sétima Bienal do Mercosul, Porto Alegre. artigos e imagem parte do livro "Entreouvidos: sobre Rádio e Arte)
Escrito por lilian zaremba às 14h12
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